quinta-feira, 15 de julho de 2010

- Adaptação

Chris Cooper (John Larouche, em primeiro plano) admira uma orquídea, visto por Meryl Streep (Susan Orlean, ao fundo) em "Adaptação" (2002).
Foto: Divulgação.

Curtindo as férias, já que o emprego só começa semana que vem e a faculdade terminou (glória a Deus!), fui ver uns filmes com uns amigos. Dentre váááários, escolhemos "Adaptação" (Adaptation), uma produção norte-americana de 2002 dirigida pelo interessantíssimo Spike Jonze, que, em 1999, tinha lançado "Quero ser John Malkovich".

Tanto este como o anterior partiam de textos do genial Charlie Kaufman (também de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças"). Aqui Charlie sai da zona de conforto de deus para as suas personagens e se inclui na trama, mostrando as dificuldades de uma adaptação literária. No elenco estão Nicolas Cage, Meryl Streep, Chris Cooper e mais um monte de bons atores em participações especiais, como Catherine Keener, John Malkovich, Cara Seymour, Maggie Gyllenhaal e Tilda Swinton.

A oportunidade foi perfeita para Cage e Cooper se reinventarem como intérpretes. O primeiro (que já havia dado demonstrações concretas de talento dramático em "Despedida em Las Vegas", pelo qual recebeu o Oscar de Melhor Ator em 1996) provou que não é apenas artista para filmes de ação ou comédias sem profundidade.

Chris Cooper, por sua vez, consegue o máximo de domínio em cena, tornando a personagem John Laroche agressivamente real. Recebeu um merecido Oscar de coadjuvante em um ano de grandes competidores, como Ed Harris ("As horas") e Paul Newman ("Estrada para perdição").

A crítica Pauline Kael, falecida em 2001, que escrevia para o "The New Yorker" e era uma das mais temidas dos Estados Unidos, dizia que não via um filme duas vezes. Penso que ela acreditava que aquela primeira impressão era menos... complacente com os defeitos que a produção poderia ter... Não sei se ela tinha razão. Nesta segunda vez, pude entrar mais fundo no universo mostrado na tela.

Eu vi "Adaptação" no cinema em 2003 e rever agora me trouxe outra impressão da qualidade desse trabalho. Pude rememorar o texto super bem elaborado, assim como me maravilhar com a direção segura. E, claro, ser surpreendido (adoro!) pelas interpretações.

O trio principal tinha um material excelente nas mãos e não ficou a dever. É muito bom ver como Kaufman (personagem) critica o irmão gêmeo (fictício) também roteirista, que usa diversos recursos  que considera clichês. Algumas tomadas depois, vemos se desenrolar no filme coisas iguais, mas não caem no lugar comum porque os atores sustentam o conflito.

Acabando o filme, a impressão que eu tenho é que "Adaptação" é quase como a orquídea preciosa que Larouche buscava. Não se vê em todo canto, tem que entrar na mata e se arriscar para conseguir. Spike Jonze e a equipe foram muito corajosos. Nós, plateia, temos a flor de mão beijada. Acho que eu soube apreciar.

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